Comprehension Debt: o custo invisível de programar sem entender🇧🇷

Comprehension Debt: o custo invisível de programar sem entender🇧🇷

31 de janeiro de 20263 min read00


[🇺🇸 Read in English] (https://dev.to/dcerverizzo/comprehension-debt-the-hidden-cost-of-coding-without-understanding-47ji)

Afinal, tecnologias que geram código são nossas inimigas?

A resposta é não. A tecnologia nasce para ajudar. Mas nem sempre o efeito é exatamente o que esperamos.

No final de 2022, tivemos o lançamento do ChatGPT, uma das ferramentas mais impactantes desde a invenção da internet. Desde então, vimos mudanças rápidas na sociedade e no mundo do desenvolvimento não foi diferente. Entramos na onda: usamos IA para tirar dúvidas, gerar soluções e, principalmente, escrever código.

Com esse avanço, algo curioso começou a acontecer. Fóruns técnicos mudaram de comportamento. Plataformas como o Stack Overflow passaram a receber menos perguntas. O padrão mudou: menos dúvidas públicas, mais prompts privados. Isso indica uma transição importante: as pessoas deixaram de perguntar por quê e passaram a pedir faça por mim.

Imagem de gráfico demonstrando o numero de perguntas geradas no stack over flow

Para um desenvolvedor sênior, usar um prompt para gerar uma classe pode ser apenas um atalho de produtividade. Mas e para um desenvolvedor iniciante?

Se até Linus Torvalds já afirmou usar ferramentas de IA, por que nós não poderíamos? A diferença está em um detalhe que quase não entra na equação: o iniciante entende o que a máquina está escrevendo?

Mensagem de commit de Linus afirmando que gerou o codigo usando IA

Esse ponto nos leva ao conceito de comprehension debt.

Assim como technical debt surge quando escolhemos atalhos técnicos, comprehension debt surge quando escolhemos atalhos mentais. É o acúmulo de código que funciona, mas que ninguém realmente entende nem mesmo quem escreveu.

Você copia, cola, ajusta… mas não compreende o motivo. Isso cria uma falsa sensação de progresso. A tarefa foi concluída, mas o aprendizado não aconteceu.

Imagine um navio navegando sem bússola e sem mapa. Ele até anda… mas não sabe para onde está indo. Programar sem entender é exatamente isso: produzir código sem compreender o “porquê” das decisões.

Não é código ruim. É código sem dono.

A IA não cria esse problema. Ela amplifica.

A partir de um prompt, o código aparece rápido e a tarefa parece resolvida. Isso gera a impressão de eficiência, mas também pode gerar aprendizado superficial. Se a IA resolve rápido, quem aprende?

Como saber se você está acumulando comprehension debt?

Algumas perguntas simples ajudam:

Se você não consegue explicar a solução, provavelmente não entendeu o problema. E se você só testa e torce… algo está errado.

O custo disso aparece com o tempo. Você evolui mais devagar, cria dependência das ferramentas e fragiliza sua base como desenvolvedor. Em um processo seletivo, sem IA, como você se sairia?

Você troca velocidade hoje por estagnação amanhã.

O objetivo não é parar de usar IA. É mudar como você usa.

Como conselho prático:

Use a IA como copiloto, não como motorista.

Como ferramenta auxiliar, ela é incrível. Mas só se você estiver navegando com mapa e bússola e não apenas sendo levado pela corrente.

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